Fórum RDC–Angola: Mukoko Samba ou o apelo para transformar a integração em poder económico real

Em Kinshasa, a abertura da terceira edição do Fórum Económico RDC–Angola não foi apenas mais um encontro institucional. Sob a liderança da Primeira-Ministra Judith Suminwa, este evento afirmou-se como um verdadeiro teste à capacidade dos dois países de transformar a integração regional em algo mais do que um simples slogan.
No centro desta sequência diplomática e económica, destacou-se uma voz em particular: a do Vice-Primeiro-Ministro responsável pela Economia Nacional, Daniel Mukoko Samba. A sua intervenção, ao mesmo tempo pragmática e ambiciosa, estabeleceu uma leitura clara dos desafios e, sobretudo, das responsabilidades.

Do discurso político à exigência de resultados

Num continente onde os fóruns económicos por vezes se multiplicam sem impactos mensuráveis, Mukoko Samba optou por mudar o paradigma. A sua mensagem é inequívoca: já não basta falar, é preciso agir.
Ao definir o fórum como uma “verdadeira plataforma de negócios”, rompeu com a lógica protocolar e enfatizou a necessidade de resultados concretos: investimentos reais, joint ventures estruturadas e projetos industriais tangíveis.
Esta abordagem reflete uma evolução na governação económica da República Democrática do Congo: colocar o setor privado no centro da dinâmica de crescimento, não como mero beneficiário, mas como principal motor da transformação económica.

Três bloqueios a ultrapassar para libertar o potencial

A intervenção de Mukoko Samba destacou-se também pela sua clareza analítica, identificando três obstáculos estruturais que continuam a travar o comércio intra-africano:

  1. A informalidade persistente
    O comércio transfronteiriço entre a RDC e Angola continua amplamente dominado por circuitos informais. Sem formalização, não há base fiscal sólida e sem receitas fiscais, não há desenvolvimento estruturado.
  2. A questão dos pagamentos
    Mais do que um problema técnico, trata-se de um desafio estratégico. A ausência de sistemas de pagamento eficientes entre os dois países encarece as transações, reduz a transparência e reforça a dependência de moedas estrangeiras.
  3. A mutualização das capacidades
    Aqui reside a dimensão mais visionária do discurso. Mukoko Samba defende a criação de cadeias de valor regionais nos setores dos hidrocarbonetos, pescas, agricultura e energia, ultrapassando as lógicas estritamente nacionais.

Uma visão alinhada com a dinâmica continental

A intervenção inscreve-se plenamente no espírito da Zona de Livre-Comércio Continental Africana, que visa a criação de um mercado único no continente.
No entanto, ao contrário de abordagens mais teóricas, Mukoko Samba propõe uma via concreta: a integração começa com corredores económicos funcionais entre países vizinhos. Neste contexto, a RDC e Angola, graças à sua proximidade geográfica e complementaridade económica, podem tornar-se um verdadeiro laboratório de integração africana bem-sucedida.

ExpobetonRDC: um parceiro estratégico para a concretizaçãoe

Neste processo, plataformas como Expobeton RDC desempenham um papel essencial.
Mais do que uma feira setorial, a ExpobetonRDC posiciona-se como um instrumento operacional que liga investidores, industriais e decisores públicos, especialmente nos domínios das infraestruturas, energia e desenvolvimento industrial precisamente os setores destacados por Mukoko Samba.
Este tipo de iniciativa ajuda a colmatar uma lacuna recorrente em África: a dificuldade de transformar visão política em execução técnica.

O setor privado perante as suas responsabilidades

Um dos pontos mais marcantes do discurso foi o apelo direto aos empresários. Mukoko Samba foi claro: o Estado pode criar condições, mas são os operadores económicos que dão vida às oportunidades. »São os empresários que materializam as oportunidades.”Esta afirmação funciona como um verdadeiro desafio ao setor privado: investir, inovar e colaborar. As oportunidades existem a sua concretização dependerá agora da capacidade de ação dos atores económicos.

Uma oportunidade histórica a não perder

Este fórum surge num momento decisivo. Entre a crescente relevância dos mercados africanos, as enormes necessidades em infraestruturas e a aceleração da integração regional, a janela de oportunidade é real mas não será eterna.
Em suma, a intervenção de Daniel Mukoko Samba ultrapassa o simples discurso inaugural. Ela estabelece uma linha orientadora clara:
• menos discursos, mais ação
• menos dependência externa, mais cooperação regional
• menos informalidade, mais estruturação económica
Se estes princípios forem efetivamente implementados nos próximos meses, este fórum poderá marcar o início de uma nova era de prosperidade partilhada entre a RDC e Angola.

Rédaction

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